O escatológico, os boiadeiros e os limpinhos

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Dizem que faz parte das estratégias da tal de guerra híbrida lançar uma ou várias cortinas de fumaça para desviar a atenção do movimento estratégico fundamental.

Essa observação, cuja validade a realidade dos últimos tempos no Brasil parece atestar, não é, no entanto, suficiente para anular seus efeitos nos corações e mentes daqueles a quem se pretende atingir, isto é, em linguagem militar, o inimigo.

E talvez a primeira questão seja definir quem é o inimigo da “operação Brazil”, que a esta altura já sabemos que é militar, empresarial, midiática e internacional. À primeira vista o inimigo era o PT e, mais precisamente o “imenso esquema de corrupção e aparelhamento estatal” promovido pelo PT.

Mote que se mostrou eficiente, dada a tendência atávica da classe média a denunciar a corrupção do vizinho enquanto não exige nota fiscal e dá um jeito de sonegar impostos “porque ninguém aguenta pagar”.

Mas os movimentos do golpe desde 2014 logo deixaram claro, apesar do cerrado bombardeio midiático, que o PT (ou talvez mais precisamente Lula) não era exatamente o inimigo, mas uma força política que se interpunha entre os interesses da operação e seu verdadeiro alvo.

Será preciso uma dose de inocência, ou de cinismo, monumentais para negar, hoje, que o alvo da operação (o inimigo, para seguir na linguagem militar) sempre foi o Brasil e sua população pobre.

Enquanto se mantinha a pantomima da corrupção lulista iniciou-se celeremente a demolição e venda a preços de sucata do patrimônio nacional e das poucas conquistas da população trabalhadora e pobre do país ao longo de décadas.

Demolição vendida com o nome fantasia de “reformas”, numa inversão perversa das demandas populares que serviram de pretexto para o golpe anterior, mais “clássico”, mas que envolvia basicamente os mesmo personagens e interesses.

E dá-lhe “reformas”: previdenciária, trabalhista, orçamentária. Todas para salvar a economia que, insiste a grande imprensa há 5 anos, “começa a dar tímidos sinais de retomada”. E dá-lhe liquidação: pré-sal, refinarias, Banco Central, Amazônia e, logo à vista, o resto do sistema energético do país.

Mesmo quando descobrimos no dia a dia do novo BBB que não era apenas incompetência ou necropolítica, mas o bom e velho apetite pela grana, e que não havia uma quadrilha, mas várias disputando o botim entre civis, militares e religiosos, as boiadas continuam passando.

Enquanto acompanhamos a escatológica exposição dos intestinos presidenciais, os “semilimpos” do congresso empurram a toque de caixa a motoniveladora no que resta de estrutura de ação social do estado, sob o sorridente rótulo de “reforma administrativa” e os limpinhos, lá de Zurique ou Paris, olham para o lado e decidem bancar mais algumas bolsas para Harvard, com o objetivo de “qualificar a política brasileira”.

* Carlos Ferreira Martins é professor titular do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos



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