Lula pode amar a humanidade, mas detesta seus semelhantes, sobretudo alguns – 19/07/2021

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O Lula 2022 é puro amor.

Ontem, postou em seu Twitter uma frase atribuída a Nelson Mandela dizendo que, se as pessoas “aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar” também.

Na mesma rede social, assessores cuidaram de tirar do baú um vídeo em que o ex-presidente visita uma feira literária em São Bernardo do Campo (SP) em 2011. Nas imagens, Lula aparece lendo em voz alta uma história para crianças. Os óculos de leitura na ponta do nariz e a expressão amável fazem o petista lembrar um avô bondoso.

Mesmo quando instado a comentar o espinhoso assunto da repressão do governo de Cuba aos protestos de rua, o ex-presidente dá um jeito de falar de rosas: “Joe Biden deve guardar muito ódio no coração”, disse em referência à manutenção do bloqueio econômico à ilha pelos Estados Unidos, a nada original saída da esquerda toda vez que se vê fuça a fuça com o totalitarismo do regime castrista.

O PT continua sendo um saco de gatos que se desentende em quase tudo, sobretudo quando o assunto é sério, caso da política econômica.

Mas a construção do personagem Lula “puro amor” une as correntes internas numa convicção: a de que é preciso quebrar a ideia que a candidatura petista representa um polo ideológico em contraponto à de Bolsonaro.

Como disse na sexta-feira ao UOL a presidente do partido, Gleisi Hoffmann: “Bolsonaro está no campo do fascismo, do extremismo. Nós somos do campo democrático”.

É nesse ponto que o discurso de Gleisi se sobrepõe às importantes e aparentemente incontornáveis diferenças entre as correntes do PT para coincidir com a tese dos que defendem que Lula deve “buscar o centro”.

Só que, na visão de petistas ditos “pragmáticos”, a encarnação do “centro”, neste caso, significa mais que uma candidatura com uma face “anti-extremista” e “anti-fascista”. Significa antes de tudo a conquista do “centro eleitoral”, ou seja, do eleitor à direita do PT, e também do “centro parlamentar” —o Centrão, ele mesmo, com Arthur Lira e companhia.

Recentemente, jornalistas do porte de Eliane Cantanhêde escreveram que Lula deveria fazer um “gesto de grandeza” ao país: abriria mão da cabeça de chapa e se resignaria à vaga de vice de modo a facilitar a montagem de uma chapa de união visando à pacificação nacional. Cantanhêde deve ter se valido da retórica como instrumento de provocação. Experiente, ela sabe que se há algo que não está ao alcance de Lula é um gesto de grandeza que se volte contra ele mesmo.

E é por essas e outras razões que, no entorno estendido do petista, ninguém chega nem a roçar no assunto. Como na frase de Edmund Burke (1729-1797), Lula pode amar a humanidade, mas detesta certos semelhantes, principalmente aqueles que sugerem que outro pode ocupar o seu lugar.



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