Investigação internacional revela que software israelense foi usado por governos para espionar opositores e jornalistas


A análise confirmou uma invasão ou tentativa de infiltração pelo software espião da NSO em 37 telefones, segundo os relatórios publicados. Dois dos aparelhos pertenciam a mulheres próximas ao jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado em 2018, no consulado de seu país, em Istambul por agentes vindos da Arábia Saudita.

Para os 30 telefones restantes, os resultados não são conclusivos porque os proprietários dos números mudaram de aparelho. “Existe uma forte correlação de tempo entre o momento em que os números aparecem na lista e o começo da vigilância”, precisa o Washington Post.

A análise, que compromete a reputação da empresa, se soma a um estudo realizado em 2020 pelo Citizen Lab da Universidade de Toronto, que confirmou a presença do programa Pegasus em telefones de dezenas de empregados do canal Al Jazeera no Qatar.

NSO, a cyber start-up israelense

Quem são os fundadores da NSO, a cyber start-up israelense e quais são as atividades da misteriosa empresa? A sigla NSO representa as iniciais dos nomes dos fundadores da empresa implantada em Herzliya, ao norte de Tel Aviv, segundo o correspondente da RFI em Jerusalém, Michel Paul, Niv Carmi, Shalev Hulio e Omri Lavie, que participavam da unidade 8.200 do exército israelense especializada em cyberguerra.

Ao todo, a empresa tem 200 empregados, a maioria vindos dos serviços de espionagem eletrônica. O produto mais conhecido do grupo é o Pegasus, o software com fins maliciosos que ao ser introduzido em um celular pirateia todos os dados, principalmente e-mails, documentos e fotos.

Além disso, o malware permite ativar à distância e sem ser detectado o microfone e as câmeras do telefone para espionar o que acontece nas imediações do aparelho. Pegasus é vendido, segundo fontes da investigação, a 25.000 dólares por telefone pirateado. Diversas vítimas atacaram a empresa israelense na justiça, entre elas Facebook e WhatsApp, que afirmam que uma falha em seus sistemas foi explorada. A reação da empresa é sempre a mesma: afirmar que o programa é oferecido somente a agências governamentais para lutar contra o terrorismo e ações criminosas.





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