Como era a primeira casa de Maradona que virou museu em Buenos Aires


É possível visitar em Buenos Aires a casa que serviu de cenário para a série “Maradona, conquista de um sonho”, exibida pela Amazon, que conta a história do ídolo ainda em formação até seu auge, quando ganhou a Europa e o mundo com seu talento no futebol. O local virou Museu Casa Maradona, localizado na rua Lascano 2257, no bairro de La Paternal.

Durante os três primeiros episódios da série de streaming, é possível ver como a vida da família Maradona se transforma após o primeiro contrato assinado por Diego com o Argentinos Juniors. A casa está a alguns metros do estádio do clube. “As negociações com a produtora da série foram muito simples. Chegamos a ter contato com os roteiristas e, desde o primeiro momento, eles se interessaram em rodar a produção na própria casa, no lugar original onde o Diego morou”, conta César Perez Dursi, administrador do Museu.

A história

Dona Tota e Don Diego, como são carinhosamente chamados os pais de Maradona, mudaram-se com seus oito filhos para a primeira casa adquirida pelo craque em negociação de uma dívida que o clube tinha com ele. Ao deixar a Villa Fiorito, espécie de favela onde cresceu, Maradona também estaria mais perto do estádio que hoje leva seu nome e onde treinaria com a camisa do Argentinos.

Os Maradona permaneceram ali por pouco tempo, apenas de 1978 a 1980, quando o craque foi comprado pelo Barcelona e seus pais se mudaram para o bairro de Devoto, também na capital argentina.

Anos atrás, precisamente em 2008, essa que foi a casa onde se passaram os primeiros capítulos da série da Amazon, foi adquirida por um ex-secretário geral do Argentinos Juniors, que junto à associação de bairro de Paternal e Villa Mitre, onde a propriedade está localizada, reformaram o local e o transformaram em um museu.

Foram sete anos de reforma e pesquisas em fotos antigas e arquivos para reproduzir o que havia sido o cenário dos primeiros anos de Maradona no futebol profissional naquele lugar, seu reduto após cada treino e partida. A Casa Museu Maradona, conhecida como La Casa del 10, foi inaugurada em 2015, mas somente em 2016 foi considerada como patrimônio público da cidade e abriu suas portas à visitação.

Diego Armando Maradona tinha 18 anos quando a Associação Atlética Argentinos Juniors, clube onde jogava, lhe cedeu a propriedade. “A escritura tem a assinatura de Don Diego, seu pai, porque Maradona ainda não podia assinar nada”, lembra um dos responsáveis pela casa.

Anos depois, em 2018, a produtora do filme “Maradona, a conquista de um sonho” procurou a direção do museu porque queria utilizar a casa como set de filmagem, e foi assim, alterando apenas um pouco o trabalho de reprodução do ambiente da época ali realizado que se rodaram as cenas que aparecem nos três primeiros episódios da série.

“As filmagens na casa duraram quase dez dias, o que foi espetacular para o bairro. Imagina que cada ator tinha seu próprio motorhome, seu espaço… foi realmente uma movimentação inédita para o lugar”, conta o César.

Como é visitar a casa de Maradona?

Para visitar a antiga casa de dois andares localizada na rua Lascano 2257 no bairro de La Paternal, uma tranquila zona residencial de Buenos Aires, é preciso agendar antes. Já nas redondezas do museu, o visitante entra no clima “Maradoniano” através das pinturas nos muros do bairro que fazem alusão ao ídolo e à sua equipe de estreia, o Argentinos Juniors.

Na chegada o que se vê é uma fachada simples, somente identificável através da placa que a sinaliza como uma espécie de patrimônio. “Nesta casa viveu Diego Armando Maradona”, diz a insígnia de 2016.

Após ser recepcionada pela mulher de um dos administradores e herdeiro do homem que resolveu investir no projeto de reforma do local, é possível entrar no primeiro lar de Maradona fora de Villa Fiorito. Há muita emoção ali. Numa comparação simples, seria como estar na casa onde Pelé cresceu. A Casa Museu Maradona é isso, um lar. Um local que renasceu da paixão por um ícone nacional e que se converteu no projeto de outra família, a Perez Dursi.

As visitas se dão em grupo e são guiadas por Luciano Brunelli, jornalista esportivo que através da amizade com César chegou ao lugar e resolveu tomar parte do projeto contando detalhes das histórias dos objetos ali presentes. Ao entrar, o público se depara com uma espécie de altar, onde uma estátua de Maradona recepciona a todos. A reportagem do Estadão fez esta visita. Logo chega-se à sala de estar dividida em dois ambientes, a sala de TV e uma sala de jantar. Tudo muito simples.

Primeiramente, é preciso levar em consideração que ali morou um Diego Maradona antes da fama, antes de fazer fortuna com o futebol, antes de ser uma das pessoas mais conhecidas no mundo. No momento em que se muda a Paternal, o craque era apenas mais um jovem aspirante – com um talento extraordinário, isso é certo – a uma carreira de jogador profissional. Na série da Amazon vê-se como os vizinhos do bairro, um lugar de famílias de classe média branca, tratavam com desdém os “cabecitas negras” recém chegados de Villa Fiorito.

Uma batalha que os Maradona souberam enfrentar. Se bem não criaram raízes ali, devido a pouca permanência na casa, este foi o cenário para o nascimento de uma nova família, a de Diego, que ali conheceu Claúdia Villafañe, sua futura mulher e mãe de suas filhas.

Na cozinha

Um dos lugares onde é possível imaginar melhor o cotidiano da família Maradona devido à precisão como reproduz o ambiente da época é a cozinha. Não se necessita muita imaginação para viajar no tempo e “avistar” Doña Tota preparando o jantar para seus filhos, recobrindo de farinha milanesas ou recheando algumas empanadas que reservaria ao filho “favorito” para serem saboreadas na volta do treino. As pessoas passam horas ali a imaginar como viveu Diego naquele lugar.

Outro ponto alto da casa está no piso superior, onde o quarto de um Maradona adolescente está fielmente reproduzido. Ele gostava de ouvir músicas. A colcha azul aveludada cobre a cama de solteiro, o toca-discos no chão junto a alguns álbuns que deveriam embalar os sonhos de juventude do que viria a ser um dos maiores ídolos do futebol mundial, tudo parece como antes. Há vida naqueles cômodos.

O lugar virou parada obrigatória para qualquer fanático do futebol que visite Buenos Aires. E, se der fome, a apenas algumas quadras de distância dali é possível saborear pastas caseiras na Cantina Chichilo, lugar que até hoje reserva a mesa na qual os Maradona se juntavam para almoçar aos domingos. “O Diego só vinha comer aqui nossas patas de cordeiro, caracóis à la bordalesa e rãs à provençal”, lembra Cacho, o dono da cantina, detalhando o prato mais pedido de Maradona.

Trata-se de um restaurante todo decorado com camisetas de futebol e um charme único, como só as antigas cantinas de bairro de Buenos Aires têm. O conjunto formado pela casa, a cantina e o estádio do Argentino Juniors, o qual está decorado com diversos murais e até um santuário, são conhecidos hoje como circuito turístico “A Rota de D10s”. A propósito, para visitar o Museu é preciso agendar o tour através do WhatsApp +54 9 112290-3683.



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